O primeiro monge
Foi o primeiro sacerdote budista a pisar em solo brasileiro e realizar a primeira oração e culto budista, logo ao desembarcar em Santos, momentos antes de embarcarem no trem que os levariam até o alojamento de imigrantes, no Brás, em São Paulo.
Solidarizando com inúmeros imigrantes japoneses, trabalhou nos cafezais, abriu matas, arou terras e ao mesmo tempo divulgou e expandiu o ODAIMOKU do HOKEKYOU, a sagrada essência do budismo.
Ibaragui Nissui ou Tomojiro Ibaragui (nome de registro) nasceu no dia 18 de Dezembro de 1886, na cidade de Kyoto. Seu pai Ibaragui Heikiti, faleceu antes de seu nascimento e sua mãe, Tsune, com apenas 19 anos, casou-se novamente deixando-o aos cuidados da avó paterna Tane. 
Ibaragui passou a infância em Kyoto, onde concluiu o curso primário. Estudou ábaco (soroban) poemas e literatura clássica chinesa. Trabalhou, desde pequeno, na fábrica de papel (folhas) de prata (Guinpaku, muito utilizada em decorações) de propriedade da família Ibaragui. Sua avó o levava frequentemente aos cultos matinais no Templo Yusseiji, onde a farmlia era fiel desde os tempos do Grande Mestre Nissen Shounin. Aos 13 anos, mudaram para a cidade de Osaka onde continuaram com a fábrica de papel prata, além de abrirem uma casa de banho público (Furoya), a qual foi fechada após dois anos de prejuízos.
Adolescente inquieto e curioso, devido a infância sofrida apesar de abastada, ansiava conhecer as religiões, principalmente, as que eram divulgadas perto de sua casa; a católica e uma seita da religião do Mestre Nitiren Shounin. Mas, apesar das propagandas inflamatórias, Ibaragui tinha consciência de possuir a sua religião e, em sua casa, sempre rezava diante do Altar Sagrado (Gohouzen).
Aos 19 anos de idade, com o consentimento da avó, iniciou a vida sacerdotal. Após um período de rigorosas práticas ascéticas foi ordenado pelo 2° Sumo Pontífice Nitimon Shounin, recebendo o nome budista Guenjyu. Seu mestre passou a ser o SO Sumo Pontífice Onoyama Nippu, bispo do templo onde fora ordenado e também um dos sacerdotes responsáveis do Templo Seifuji, de Osaka, daí o elo que o fizera ingressar ao Templo Butsuryuji, em Otsu.
Dedicou-se intensamente aos estudos das escrituras budistas e ao treino das orações. Gostava de acompanhar seu mestre em suas missões à Osaka, prestando-lhe assistência. Dois anos depois, vendo que sua formação religiosa seria prejudicada se permanecesse na pequena cidade de Otsu e, influenciado pela, na época, recente modalidade estudantil "Estudos sobre o ocidente", fugiu para Tóquio com seu amigo também sacerdote, Kamada Guensoku. Tal súbita partida, também foi devida às constantes ausências do mestre Onoyama Nippuu, e da falta de um orientador após o falecimento de seu padrinho de ordenação, Mimaki Dennosuke (Irmão mais novo de Nitimon). Sentia que, somente em Tóquio, centro de estudos de ponta da época, poderia se lapidar e aprimorar nos estudos.
Ibaragui e Guensoku, inicialmente rumaram à província de Fukushima, onde buscaram abrigo na casa da mãe de Guensoku. A mesma, repreendeu-os levando-os ao templo Seiouji, em Tóquio, onde atuava o 4°. Sumo Pontífice Nitikyou Shounin.
Diante das explicações e pedidos de desculpas de Ibaragui e Guensoku, Nitikyou, em contato Com Nippu, passou a ser o seu novo mestre.
Todavia, as responsabilidades somente aumentaram.
Precisava demonstrar que sua vinda à Tóquio não fora em vão e que seus anseios eram verdadeiros. Ibaragui reiniciou a prática as cética de modo intenso. Aprendeu filosofia ocidental e teoria budista com o 11°. Sumo Pontífice Kajimoto Nissatsu, que na época era 4 anos mais velho que Ibaragui e filho de Nitikyou. Nissatsu estudava na renomada Universidade Waseda e tinha todas as aptidões necessárias para orientar Ibaragui do modo que ele sonhara quando partiu de Otsu.
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