Creio que a história cultural venha a ser o fator que mais dificulta a resposta desta pergunta. Quando Nitiren Daibossatsu iniciou sua pregação no Japão, também passou pelas mesmas dificuldades, precisou evidenciar a existência do Buda Primordial, além da personalidade do Buda histórico, até então único conhecido. Por isso diferenciar não seria a colocação mais correta. Certamente, ao invés de diferenciar, sobrepor um conceito abrangente e único seria a definição mais adequada a esta questão.
Antes de responder, porém, deveríamos analisar qual é a conotação e significado dado a cada uma dessas palavras. Buda é um adjetivo que significa
"Aquele que é perfeito".
No Brasil todos costumam dizer que “Só Deus é perfeito”. Portanto, a partir deste angulo e análise, vemos que fala-se de uma personalidade a partir de nomes e adjetivos diferentes.
Contudo, chamam de Deus o que nunca viram de forma física ou que esteve presente alguma vez na história da humanidade. No budismo quando dizemos “Buda Primordial” nos referimos ao Ser e energia que rege o universo e que nos pregou pessoalmente o Sutra Lótus, mais especificamente os Oito Primeiros Capítulos do Caminho Primordial do Sutra Lótus, e mais, comprovou sua condição e vida eterna invocando os Bossatsu Emergidos da Terra. Acima de tudo também, nos deixou a fórmula “Namumyouhurenguekyou” da iluminação, para que pela fé e compaixão, pudéssemos sem discriminações sermos conduzidos a plena felicidade.
Também, não aceitamos de maneira alguma um Deus que cria, descria, manipula o destino, conduz ao céu os bonzinhos e castiga os malvados. Isso tudo sim é “criação” de manipuladores religiosos que impuseram a religião por meio de superstição, medo e temor. A história registra bem tudo isso que aconteceu e ainda acontece.
Para não cairmos nesta discussão terminológica que não traz nenhum tipo de beneficio é que, costumeiramente denominamos a entidade divina suprema de Buda Primordial. Está acima de qualquer tipo de Buda, Deuses, divindades e outros.
Fonte: Revista Lótus n°33 Pg 12
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