Caro jovem, como disse, seguimos a tradição do Mahayana, que se situa na preposição da compaixão. Isto é, significa que devemos ser compassivos e, só seremos verdadeiramente compassivos no momento que estivermos sentindo raiva, ódio, mágoa e outras coisas do gênero. Se não for para sermos compassivos nos momentos que mais precisamos ser pelas outras pessoas, então em momento algum a nossa compaixão será verdadeiramente útil e, sem utilidade ela não é verdadeira.
Quando diz ser ético e justo, contradiz a indiferença que apresenta às pessoas. O problema não está nelas, mas sempre dentro de nós. Principalmente, no ódio, avareza e ambição, considerados Três Venenos no budismo e principais inimigos da compaixão. Seria mais coerente se sentíssemos raiva e ódio desses três venenos e não culpar as pessoas pela nossa imperfeição, falta de capacidade em ajudar as pessoas a mudar e conduzi-las a iluminação.
Não somos capazes de eliminar o ódio, mas podemos viver sem que sua influência nos traga mais tristezas e sofrimentos. Dizer que podemos controlar também é muita preponderância. Somos frágeis seres humanos que já nascemos possuidores destes três venenos.
Por outro lado, também nascemos dotado da Natureza Búdica, que quando encontra a fé na oração do Namumyouhourenguekyou, desperta a compaixão dentro de nós e, sem que mesmo percebamos nos move e faz agirmos de modo compassivo.
Também tenho problemas como você, mas quanto mais oro esta oração, mais me torno humilde e sereno, a ponto de procurar me esforçar mais para com minha fé se tornar capaz de auxiliar e me auto-superar de alguma forma. A indiferença é a pior das ofensas.
Demonstre-se, atire-se e renove-se. Viver problemas não é o problema. O problema é que, pela indiferença, acaba por viver sempre o mesmo problema e da mesma forma. Isso sim é sofrimento.
Fonte: Revista Lótus n°39 Pg 05
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