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Como os budistas vêem as superstições e crendices?

   




Como os budistas vêem as superstições e crendices?







   
   

Em pleno século XXI, quando a ciência e a medicina se encontram bastante desenvolvidas e teoricamente a humanidade está mais esclarecida, vivemos ainda num mundo cheio de supertições e crendices. Encontramos pessoas que acreditam que números, nomes, amuletos, pedras, cristais, flores, cores e etc., podem influenciar positiva ou negativamente nas nossas vidas. Acreditam que a quiromancia, as cartas de tarô, os búzios, a astrologia e etc., podem ver nosso presente e prever nosso futuro para melhorar a vida. Que a terapia da regressão, através da hipnose nos faz voltar não só no passado recente como também às vidas passadas. Acreditam que com a "cirurgia" mediúnica, com o Reiki e com o exorcismo e etc., podem curar doenças incuráveis. Acreditam que através de médiuns podem comunicar-se com os entes falecidos.

Do ponto de vista dos ensinamentos da HBS, o fiel que acredita em superstições, crendices, adivinhos e curandeiros, estará cometendo uma grande heresia (houbou). Por serem infundadas, não oferecem o verdadeiro caminho da felicidade. Se fossem legítimas, seriam válidas em qualquer parte do mundo e em qualquer época. Para ilustrarmos vejamos alguns exemplos que estão mais próximos no nosso dia a dia.

Vejamos alguns exemplos:

Superstição de números

Em muitos países, números fazem parte das superstições.
Geralmente a aversão a um número está ligada a algum fato histórico negativo marcante. O número 13 é o mais conhecido entre nós. Segundo Marcelo Duarte autor do "O guia dos curiosos" (Cia. Das Letras), o temor ao número 13 se origina de duas lendas da mitologia nórdica. "Na primeira delas, conta-se que houve um banquete e 12 deuses foram convidados. Loki, espírito do mal e da discórdia, apareceu sem ser chamado e armou uma briga que terminou com a morte de Balder, o favorito dos deuses. Daí veio a crendice de que convidar 13 pessoas para um jantar era desgraça certa. Segundo outra lenda, a deusa do amor e da beleza era Friga. Quando as tribos nórdicas e alemãs se converteram ao cristianismo, a lenda transformou Friga em bruxa. Como vingança, ela passou a se reunir todas as sextas com outras 11 bruxas e o demônio. Os 13 ficavam rogando pragas aos humanos".Segundo o mesmo autor, outro fato que reforça a superstição, foi que na última ceia de Cristo participaram 13 pessoas e a crucificação foi no dia 13, sexta-feira. Assim, o número 13 virou sinônimo de morte.

É por isso que nos Estados Unidos, por exemplo, em muitos edifícios não constam o 13° andar. No Brasil embora o número 13 seja considerado também um número de azar, não causa tanto impacto como no caso americano.

No Japão os números que trazem maus agouros são o 4 e o 9. Neste caso, os números causam antipatia porque o número 4 (shi) é homônimo (mesma pronúncia com escrita e sentido diferentes) de morte e o 9 (ku) de sofrimento. Uma das provas da força dessa superstição é a de que nos hospitais não existem quartos com essas numerações.

Observamos, portanto que, o temor que as pessoas têm em relação ao número em si não possui fundamento algum. Se fosse válido, e universal, esses números nem existiriam.

Amuletos

Para os místicos e supersticiosos os amuletos espantam o mau-olhado, a inveja e a doença ao mesmo tempo em que atraem energias positivas, saúde e prosperidade. No Brasil são vários os amuletos, entre eles: pé de coelho, ferradura, trevo de quatro folhas, figa e até uma estatueta de Buda com uma barriga avantajada sentado. Entre os descendentes japoneses, os mais conhecidos são a moeda de cinco yenes e o gato que chama maneki neko.

É espantoso ver pessoas acreditarem que um simples objeto possui poderes mágicos. Se um amuleto como a ferradura desse sorte, cavalo não puxaria carga pesada. Além do mais, será que todos aqueles que usam amuletos em geral estão imunes às fatalidades e são prósperos? É claro que algumas pessoas se encaixam dentro desse perfil, mas por pura coincidência.

No caso de um comércio, não é um simples amuleto como o maneki neko ou outro tipo de divindade que determinará a prosperidade. Será um conjunto de fatores como a qualidade do serviço, do produto, do atendimento, do local (ponto) e acima de tudo do trabalho, honestidade e capacidade do proprietário que o comércio prosperará.

Adivinhações

No mundo existem vários tipos de adivinhações, entre elas as que mais ouvimos são: astrologia, quiromancia, cartas de Tarô e búzios.

Na astrologia, para fazer um mapa astral de uma pessoa é imprescindível que se saiba corretamente a data de nascimento. Só esse fato invalida qualquer mapa astral já que ninguém tem a certeza da hora exata do seu nascimento. Todos nós sabemos que o registro de nascimento como documento é muito importante, mas sabemos também que os dados nele contidos não são precisos e totalmente confiáveis.

As cartas de tarô e búzios são outras modalidades que não podem ser levadas a sério. Prova disso é que se "consultarmos" dez tarólogos, ou dez pais-de-santo, receberemos dez resultados diferentes. Se fizermos umas pesquisas das previsões que esses adivinhos fazem nos finais de ano, veremos que a margem de acerto é pequena. Se os búzios e as cartas de tarô possuíssem o poder da premonição, o fariam de forma clara e precisa. Prever que um artista famoso morrerá é muito fácil, o dificil é prever o nome, a data e local. Os tarólogos e os pais-de-santo que conseguem acertar a maioria de suas previsões, ao contrário do que muitos pensam, não são dotados de poderes especiais para interpretar os búzios e as cartas de tarô, mas sim, são pessoas bem-informadas sobre todos os acontecimentos do país e do mundo e, também, da vida das personalidades em evidência na mídia.

E por falar em adivinho, certa vez quando participava de uma excursão das senhoras do Templo Ryushoji, assisti dentro do ônibus uma fita de vídeo dos dez anos de carreira da cantora japonesa Godai Natsuko. Num certo momento ela relatou que no início da carreira, como não fazia sucesso, resolveu consultar um adivinho. Certo dia ao descer numa estação de trem, viu alguns enfileirados na calçada. Como estava com pressa, resolveu consultar o que estava menos ocupado. Sentou e começou a falar sobre seus problemas. Disse que era cantora e seu nome artístico era Terumi Nakagawa. Por não fazer sucesso contou que tinha até mudado de nome uma vez (o primeiro era Yuki Kagawa), mas a tentativa tinha sido em vão. O adivinho disse então que o que prejudicava sua carreira eram as coisas relacionadas à água. Para ele, a água sugeria correnteza ou efemeridade. Dessa forma aconselhou que evitasse palavras como mar, rio, chuva e etc. Como nos dois primeiros nomes artísticos havia o ideograma kawa (rio), resolveu mudar de nome pela terceira vez. Adotou então o nome Natsuko Godai. Livrando-se do nome que sugeria água achou que sua carreira decolaria, mas para isso teria que cantar uma música bonita. Sem saber de sua crendice, ofereceram a ela a canção chamada "Modori Kawa".

Novamente deparou-se com a palavra kawa (rio). A princípio tentou resistir, mas como a canção era bela demais, resolveu ignorar os conselhos do adivinho e aceitou interpretar a música. Resultado: a música fez um grande sucesso e ela conseguiu se projetar na mídia. O curioso é que as outras músicas que também fizeram sucesso tinham palavras como chuva, mar, rio e etc.

Curandeiros

o curandeirismo ainda resiste ao tempo e existe em qualquer parte do mundo. Os curandeiros são muito requisitados e há casos em que centenas de pessoas são atendidas num único dia, por um único curandeiro. A maioria diz que para realizar a cura incorpora entidades como Buda, Jesus, Dr. Fritz, Zé Arigó e etc. Muitos realizam "cirurgia" mediúnica que é descrita da seguinte maneira por Robert Todd Carroll no "Dicionário Céptico". "A cirurgia mediúnica ou psíquica é uma espécie de não-cirurgia, praticada por um não-médico. O curandeiro simula uma incisão passando o dedo sobre o corpo do paciente, aparentemente atravessando a pele sem utilizar nenhum instrumento cirúrgico. Finge introduzir as mãos nas entranhas do paciente e extrair 'tumores'. Usando truques, esguicha sangue de animais de um balão escondido na mão, enquanto se desfaz de itens como figados e corações de galinha. O paciente vai então para casa morrer, se realmente estivesse morrendo; ou continuar vivendo, se não houvesse nenhum problema sério inicialmente".

O Brasil teve e ainda tem curandeiros famosos. O último caso notório foi o do engenheiro Rubens Faria Jr. que dizia incorporar o Dr. Fritz. Enquanto se encontrava na ativa, aparecia em respeitados programas de televisão e em colunas sociais de jornais e revistas de grande circulação. Quando entrevistado dizia que praticava a cura simplesmente por amor ao próximo e que não recebia nada por ISSO.

Suas cirurgias não eram simuladas como descritas anteriormente. Ele usava bisturis e ferramentas não convencionais para realizar as operações. Não se preocupava com a higiene das pessoas que podiam pegar todos os tipos de infecções. Já a sua higiene e proteção eram importantes, já que não dispensava, de forma alguma, as luvas cirúrgicas. Muitas pessoas famosas freqüentaram suas sessões, entre elas, o ex-presidente João Baptista de Oliveira Figueiredo que tinha um sério problema na coluna. Realizou uma cirurgia com Faria Jr., mas continuou sofrendo do problema até sua morte. Vários fatores fizeram com que Rubens Faria Jr. fosse desmascarado.

Certa vez, durante o atendimento a milhares de pessoas, no Rio de Janeiro, passou mal, abandonou a sessão de cura e foi correndo a um médico para ser socorrido. Posteriormente, uma reportagem de televisão, com uma câmera escondida, descobriu que ao contrário do que afirmava nas entrevistas, cobrava pelas consultas e pelos "remédios" que receitava e que só ele vendia. Muitas pessoas morreram em conseqüência de seus tratamentos, mas que não foram divulgados. Felizmente foi acusado da prática ilegal de medicina e curandeirismo e foi preso pela polícia.

O outro tipo de curandeirismo que está na moda hoje em dia é o chamado Reiki que consiste na cura de uma doença através da imposição das mãos. Por ser um tipo de tratamento "light" e inofensivo não acarreta nenhum problema com a justiça. É considerado curandeirismo porque não existe nenhuma comprovação científica de sua eficácia.

As pessoas que dão depoimentos de cura por terem recorrido a um curandeiro, ou a uma terapia, na verdade não sofriam de nenhuma tipo de doença física. Sofriam sim da enfermidade psicológica. Desse modo, quando alguém que se proclamou representante de alguma divindade disse "você está curado" ele simplesmente "deletou" da cabeça uma doença imaginária que causava dores físicas sem gravidade.

Nenhuma doença em fase terminal pode ser curada num simples passe de mágica. Se alguém disser que possui esse poder, desconfie.

Comunicação com os mortos

No mundo existem várias formas de comunicar-se com os falecidos, mas vamos apenas citar a psicografia. Segundo dizem, o psicógrafo, ou o médium, é o interlocutor do mundo dos vivos com o mundo dos mortos. A comunicação se dá através da incorporação da alma do falecido no interlocutor, que passa as mensagens através da escrita frenética num pedaço de papel. Cabe aqui uma pergunta: será que um médium brasileiro pode incorporar uma alma de um japonês falecido e passar uma mensagem na escrita japonesa?

Enfim, se citássemos e analisássemos todas as superstições e crenças existentes que permeiam nossa vida escreveríamos um livro de centenas de páginas.

Fonte: Revista Lótus nº 31 Pg 10





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