No Budismo Primordial é uma prioridade.
Antes de falarmos sobre o Budismo Primordial HBS, torna-se necessário discutirmos sobre a necessidade do homem possuir uma crença, de uma maneira geral. Admitindo que só o homem é capaz de possuir um sentimento religioso, é inevitável que venha essa pergunta, mas então, o que vem a ser exatamente uma religião?
Houve quem disse que a religião é o ópio do povo, alguns outros que a religião não passa de um meio de satisfazer a si mesmo, e outros ainda, que o homem se torna inútil devido à religião. Nessa era de extraordinário progresso tecnológico muitos pensam também que a religião é um artigo do passado, arcaico e inútil.
O valor de uma pessoa se mede pelo que ela faz durante a vida inteira e não pelo fato de apenas de ter vivido uma longa existência. De um ponto de vista religioso não existe limite na nossa produção espiritual, e é exatamente este fator que nos proporciona viver sempre aumentando a nossa qualidade de vida.
Podemos dizer também que a religião existe como fator orientador da vida. Neste ponto pode-se se dizer que as religiões se assemelham entre si. Mas se estudarmos melhor a origem de cada uma das religiões verificamos que podem se dividir em dois grandes tipos:
Aquela fundada por alguém que recebeu indicação ou mensagem direta do céu (Deus). Assim passa a ser a fundadora dessa religião a pessoa que foi a portadora da mensagem.
E aquela fundada pelo homem que despertou, pela prática ascética, para os mistérios divinos, passando a ensinar aos seus seguidores o que conseguiu com o seu despertar.
O cristianismo pertence ao primeiro tipo e o budismo ao segundo. É preciso frisar, entretanto, que não negamos a existência do divino entre os homens. Mas é inegável que sentimos afinidade e afeição àquele que permanece próximo de nós.
É como uma criança que vai pela primeira vez a escola, há pais que ensinam verbalmente o caminho e deixam a criança ir sozinha, outros pais pegam sua mão e caminham juntos, ensinam passo a passo para depois então prossegui-lo só.
Parece evidente que as crianças aprendem com maior facilidade se tiver perto de si, a mão amiga dos pais. Mas ambas as maneiras de educar estão certas. Na religião existe também r diferenças de comportamento na orientação.
De qualquer maneira, fundamentalmente a religião existe para que possamos criar novas forças e também, para que tenhamos mais ânimo ao enfrentar as adversidades da vida. Aparentemente, entre um homem religioso e um ateu não há diferença no comportamento diário. Mais isso ocorre somente nos dias de paz. Uma vez na crise, surge nitidamente a diferença de atitude entre aquele que crê na religião e aquele que a rejeita.
Explicando de outra maneira, podemos dizer que é um homem religioso aquele que entre os tempos de paz, procura diariamente fortalecer a sua reserva espiritual a fim de enfrentar com tranqüilidade os maus tempos. Tal como quem normalmente vive uma vida regrada enfrenta com melhores resultados a doença do que aqueles que nunca tiveram cuidados com a sua saúde. É melhor cuidarmos diariamente da prevenção do incêndio do que nos desesperarmos à procura de um extintor apavorado pelo súbito fogo.
Fonte: Revista Lótus nº 72 Pg 01