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Perguntas & Respostas

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Venho de uma religião católica, tenho muitas dúvidas sobre os dogmas?

   

  Venho de uma religião católica, tenho muitas dúvidas sobre os dogmas, confissão, obediência aos padres e outros. Além de ser muito questionada pelo fato de não dar exemplo aos meus filhos. Chego ao ponto agora de questionar se realmente as circunstâncias que envolveram Jesus não foram uma farsa ou manipulação dos homens.

Há muito tempo fizemos na escola, uma pesquisa sobre religiões e fiquei encantada com a parte filosófica sobre o budismo. Meu cunhado é evangélico e já tentou me levar para a igreja dele. Não vi nada de diferente além de uma mudança de crença do católico.

Gostaria que me respondessem brevemente sobre o ponto de vista do budismo:
Para o budismo quem foi Jesus? Ele foi filho de Deus? Como seriam explicados os milagres associados a Jesus? E a Nossa Senhora?

Faço parte de um grupo de casais que se encontram regularmente, já estudamos sobre islamismo, judaísmo e acho que o budismo tem respostas mais concretas. Possui menos necessidade de vincular fatos infundados ou imagens divinas.
Não me indiquem livros para consulta porque nessa fase de dúvidas,(tendendo mais para acreditar no que budismo prega) não almejo ler nada (num primeiro momento). Preciso apenas de respostas para essas perguntas.

Obrigada.


   
   
     


   Já que foi direta em seu questionamento, serei objetivo também nas respostas.

Faz muito tempo que devido a falhas no sistema cristão de ensinamento e administração, que fiéis e adeptos estão perturbados. Alguns dos principais ensinamentos cristãos, são para se aceitar e não questionar. Se questionados muitas vezes não se recebe nenhuma resposta lógica ou, quem pergunta é tido como descrente.

As respostas do tipo, "porque sim" ou simplesmente, "foi a vontade de Deus", são respostas que hoje em dia não são simplesmente aceitas pelos adeptos.

Quanto a confissão, o simples fato de confessar não significa que eliminou o pecado. Pelo menos do ponto de vista budista. A simples confissão, aprisiona o adepto pelo peso da consciência que fica quando peca (quem nem isso sente, não se confessará). Também, o efeito psicológico tranqüilizador que é gerado após uma confissão não e nada coerente com a realidade de que ainda nada foi feito. Um Carma não pode ser eliminado simplesmente pelo fato de ter sido contado a um ser comum como nós e, muito menos se tiver que fazê-lo várias vezes, como muitos o fazem.

Sobre a obediência aos padres, já é tendência histórica, antigamente muitos eram mortos ou excomungados por desobediência ao clero. Conceito que está inserido na cultura ocidental. É claro que não podemos generalizar, pois existiram verdadeiros "santos" no decorrer da história. Todavia, simplesmente o poder dado aos padres de excomungar alguém da igreja, já o coloca (quem o faz) como alguém não merece respeito algum. Principalmente os errante é que devem ser o alvo da salvação e não de exterminação.

Sobre não dar exemplo aos filhos, depende de qual exemplo, é óbvio que todos nós devemos ser exemplares aos nossos filhos e demais pessoas. Todavia, se não for exemplar é alvo de lapidação e não à negação. Se existe um "céu", só pode ser um lugar onde não há diferenças entre bons e maus. Onde todos são capazes de coexistirem, e não como no conto de fadas discriminatório que muitas doutrinas pregam.

Quanto as igrejas evangélicas, que seguem uma única e mesma doutrina, apenas interpretando de forma diferente, o que se pode dizer é que "são farinha do mesmo saco". Tentaram criar algo sem receita correta, a gosto, e por isso fizeram uma grande confusão. Qualquer um é pastor, fala o que quer em nome de Deus, prega errado e ninguém está nem aí. Pode ser que eu esteja generalizando, mas é a imagem que se tem hoje em dia. Há uma grande irresponsabilidade e descontrole em relação a uma doutrina que consideram sagrada.

Seus questionamentos são nos dirigidos com freqüência e retratam uma realidade que muitos adeptos enfrentam. A história do cristianismo, bem como das religiões abraâmicas, contém muita manipulação, derramamento de sangue e discórdia, que são encobertos pelo dito "amor de Deus". Essas manipulações, muitas vezes fazem as pessoas perderem a fé na existência de uma única e suprema divindade ou, se existe não fazem questão de acreditar.

Note bem que o objetivo não é criticar, apenas confirmo as suspeitas que nos direcionou e que eu próprio ja tive até o momento em optar pelo budismo.

Jesus, respeitavelmente, foi um ser como qualquer outro respeitável (quem não é?), que pregou o bem e exerceu sua missão. Todavia, não concretizou a iluminação, um iluminado não morre, nem ressuscita. Simplesmente regressa ao estado primordial, também, se morresse certamente seria de um modo sereno, são grandes as diferenças de concepções que existem. Portanto não podemos fazer comparações teoricamente levianas.

Sobre os milagres, eles acontecem! Alguns são invenções do homem (portanto não são milagres), outros de fato acontecem (mas, não são mágicas, todos possuem uma causa). Porém, devem representar o seu caminhar correto rumo a iluminação, não pode ser um "verdadeiro milagre" algo que hoje recebe e amanhã lhe é tomado. Ou seja, a iluminação é o cessar dos sofrimentos, é a meta principal e isso não é um milagre, é algo explicável e concreto, principalmente do ponto de vista prático.

Não sei se as respostas foram úteis, evito ao máximo fazer comparações, pois não é o objetivo. Mas, como seu apelo foi forte acabei respondendo, espero que não a interprete como crítica, e sim como uma simples constatação.

Se não fui claro ou feri algum dogma em que acredita, peço desculpas, também me coloco a disposição para demais esclarecimentos.

Fonte: Revista Lótus nº 50 Pg 18




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