Padroeiro do Budismo no Brasil

Verso do Grande Mestre Nissen Shounin nº 710
23/09/2020
A Juventude Budista
25/09/2020

Tive a honra de ser autor da Lei que instituiu o Dia do Padroeiro do Budismo no Brasil, em homenagem a Tomojiro Ibaragui, a ser comemorado anualmente no dia 18 de junho. Essa Lei, promulgada dia 21 de julho passado, também é um reconhecimento ao trabalho de Ibiragui, o primeiro monge que chegou ao Brasil junto com a primeira leva de imigrantes, em 1908, e que iniciou a historia do budismo no nosso País.

Tenho certeza que a data será mais um motivo para celebrar essa devoção do monge Ibaragui ao Brasil e para marcar essa trajetória de fé e compaixão, que perdura e se glorifica até os dias de hoje.

Aurélio Nomura
Vereador

 

 

Padroeiro do Budismo no Brasil Ibaragui Nissui Shounin

– 50º Culto Póstumo no dia 1º de Novembro às 8:00 –

 

São 112 anos de imigração japonesa, e desde o primeiro dia Ibaragui Nissui Shounin já estava presente.

Dos seus 85 anos de vida, 63 anos foram dedicados ao sacerdócio e vida monástica em solo brasileiro. No Brasil, levantou 7 templos, diversos núcleos e grupos religiosos em capitais e regiões remotas.

E recentemente, no dia 23 de julho, a cidade de São Paulo, homenageou Ibaragui Nissui Shounin com o título e dia do “Padroeiro do Budismo no Brasil”. Uma justa homenagem que consolida a sua dedicação e desprendimento, e que passará a constar nos anais da história do budismo no Brasil.

Além disso, o dia 18 de junho foi atribuído como dia do Padroeiro do Budismo no Brasil, mesmo dia da Imigração Japonesa e exatamente o dia em que foi realizado o primeiro culto budista em solo brasileiro, momentos antes de desembarcarem do Kasato maru. Participaram do primeiro culto budista, os fiéis, Mizuno Ryo pai da imigração japonesa, Ibaragui Tiyo, Ibaragui Shintaro e Endo Toyonosuke. Foi o momento da primeira semeação do Darma Sagrado de Buda no Brasil.

Tal título provém das bênçãos búdicas, dos esforços religiosos das gerações de Sumo Pontífices, bispos, discípulos, fiéis e também do projeto de lei do Vereador Aurélio Nomura com a aprovação da Câmara Municipal de São Paulo. E no dia 18 de outubro de 2020 na Catedral Nikkyoji, será realizada uma solenidade de oficialização do título, em que o Budismo Primordial fará a entrega de uma menção honrosa ao vereador.

Padroeiro do Budismo no Brasil

Na cultura religiosa brasileira, o título “Padroeiro”, regionalmente, exerce profundo respeito e sublimação pelo exemplo incontestável de fé e compaixão deixados. Tanto que na maioria das cidades tal dia é feriado.

No entanto, muito teve que ser comprovado, mas a parte religiosa já estava documentada. E só restava apresentar documentos que comprovassem a sua entrada no Brasil na condição de monge. E foi na ocasião do centenário da imigração japonesa que obtivemos a prova irrefutável no Arquivo Público Estado de São Paulo. Ou seja, há 112 anos no livro de registro de desembarque do Kasato maru, na coluna profissão constava claramente “Monge”.

Em outras palavras, mesmo sabendo que ao se declarar monge budista, poderia ser extraditado ali mesmo, pelo impedimento da entrada de religiosos em acordo entre os países, fez questão de se identificar. Bastou essa declaração para cumprir durante toda a sua vida a missão recebida de Buda, através de seu mestre Nitikyou.

Por essa postura determinada é possível perceber que Nissui Shounin não se tornou Padroeiro agora, mas sim, que já o era desde o primeiro dia. Tanto que, em sua biografia de 440 páginas este fato já consta nas primeiras linhas do primeiro capítulo.

Hoje existem, 11 templos, filiais e núcleos de cultos em todo o Brasil. O contingente de monges brasileiros que exercem exclusivamente o sacerdócio, passa dos 20, e por mais longe que se possa ir realizar alguma atividade religiosa, é fascinante, pois sempre nos depararmos com semeações e elos deixados por Nissui Shounin. Por isso, de fato, somos profundamente gratos. Mas, por outro lado, também fica a reflexão da necessidade de um esforço maior, pois não podemos simplesmente desfrutar do seu legado.

A vida do Padroeiro do Budismo no Brasil foi uma longa sequência do emergir das profundezas, e agora é a nossa vez de renascermos. E deveremos fazer isso com a mesma força e fé religiosa.

Em meio a pandemia do novo corona vírus, lamentamos não poder receber o Sumo Pontífice, a sua caravana do Japão, todos os sacerdotes e fiéis que participariam presencialmente na cerimônia oficial do 50º Culto Póstumo.

Mas graças ao Darma Sagrado, a sua Santidade o 26º Sumo Pontífice Takasu Nitiryo Shounin, nos concederá, a partir da Matriz Mundial em Kyoto, a sua celebração online e bilíngue, no dia 1º de novembro às 8:00. E será dessa forma que participaremos oferecendo o nosso máximo em orações e atividades religiosas para que tudo transcorra bem.

Há anos cantamos o hino Ibaragui Nissui. Mas somente isso não basta, precisaremos incorporar o seu espírito fazendo o Darma Sagrado ser perpetuado cada vez mais no Brasil e para todos os seres. A expansão mundial do Darma Sagrado de Buda e a solidariedade dos seres, sempre foi a maior prece do Grande Mestre Nitiren Daibossatsu. E para isso nos esforçaremos sobremaneira, e não importa quantas vezes tentemos, pois se seguirmos os passos do nosso Padroeiro do Budismo no Brasil Ibaragui Nissui, certamente essa prece tornar-se-á realidade.

13º Arcebispo do Brasil, Takassaky Nitiguen.